Desempenho chave
Especificações técnicas
Motor
- Cilindrada
- 8200 cc
- Potência
- 502.0 ch @ 5200 tr/min (366.4 kW)
- Torque
- 567.0 Nm @ 4200 tr/min
- Tipo de motor
- V8, four-stroke
- Arrefecimento
- Liquid
- Taxa de compressão
- 9.6:1
- Sistema de combustível
- Carburettor. Quadrajet 850 cfm
Chassi
- Transmissão final
- Belt (final drive)
- Suspensão dianteira
- 63mm inverted forks
- Suspensão traseira
- Dual 13.5´ coilover shocks
Freios
- Freio dianteiro
- Double disc
- Freio traseiro
- Single disc
Dimensões
- Altura do assento
- 724.00 mm
- Distância entre eixos
- 2083.00 mm
- Tanque
- 32.17 L
- Peso a seco
- 589.70 kg
Apresentação
Os números da ficha técnica da Boss Hoss BHC-3 502 parecem um erro de digitação. Oito mil e duzentos centímetros cúbicos, quinhentos e dois cavalos, quinhentos e setenta Newton-metros. Esses dados não têm nada a ver com o mundo da moto, pertencem à mecânica pesada ou à propulsão naval. No entanto, esta coisa rola sobre duas rodas e exibe um guidão. A ideia básica é simples ao extremo: enxertar o pequeno bloco V8 Chevrolet de 502 polegadas cúbicas, um clássico dos hot-rods americanos, em um chassi custom desmesurado. O resultado desafia toda lógica, toda categoria, e provavelmente toda legislação europeia sobre a carteira de motorista.

O motor é a única razão de ser da máquina. Este V8 com carburador Quadrajet de 850 cfm, refrigerado a líquido, gira com a despreocupação de um trator. A 4200 rpm, ele entrega seu torque monstruoso de 567 Nm, um valor que faria chorar uma Bugatti Veyron da época. A potência de 502 cv chega a 5200 rpm, mas se sente bem que a curva deve se parecer com um planalto de Idaho. A transmissão final por correia e a caixa automática de três marchas (ou quatro, dependendo das versões) transformam esta loucura em um engenhoso utilizável. Fala-se de uma moto que pesa quase 600 quilos a seco, com um entre-eixos de dois metros e oito. A Harley-Davidson Electra Glide faz figura de scooter ao lado.
O chassi e as suspensões existem para conter a massa, não para a fazer dançar. A garrafa invertida de 63 mm e os dois amortecedores na traseira têm um trabalho titânico. Os freios, um disco duplo na frente e um simples atrás, parecem irrisórios diante da energia cinética de meia tonelada lançada. A altura do assento de 724 mm é ridiculamente baixa para uma máquina desse tamanho, como se o construtor quisesse a todo custo que o piloto pudesse colocar os pés no chão. Com um reservatório de 32 litros, é possível percorrer uma distância honrosa entre dois postos de gasolina, desde que não se sollecite demais o punho direito.
Dirigir uma Boss Hoss BHC-3 502 é experimentar uma forma de violência suave. Ela não vibra, ela treme. Ela não acelera, ela aspira o horizonte. Ela não freia, ela diminui com relutância. É a anti-moto por excelência, uma declaração de independência diante de toda noção de manobrabilidade, agilidade ou finura. Ela não tem concorrente, se não é talvez um dragster ou um barco a motor. Seu público é minúsculo e perfeitamente definido: colecionadores excêntricos, amantes da cultura hot-rod, e aqueles para quem a noção de "demais" simplesmente não existe. Ela não aprende nada sobre a moto, mas diz muito sobre a audácia, ou a loucura, puramente americana.
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